Mulheres e o desejo
Saiu hoje no NY Times uma matéria sobre a sexualidade feminina. Meredith Chivers, uma pesquisadora canadense, conduziu uma série de testes envolvendo homens e mulheres expostos a diversos vídeos, e fez algumas descobertas importantes a respeito do que nos excita.
O nível de excitação genital das mulheres expostas a imagens de homens nus fazendo ioga, por exemplo, era o mesmo de quando as fotos eram do Himalaia coberto de neve, ou seja, praticamente nenhum. E, de fato, eu não consigo imaginar coisa menos excitante do que um cara pelado fazendo ioga. Talvez, se ele estivesse de pau duro, mas parece que não era bem o caso.
Por outro lado, se o homem nu em questão estava envolvido em alguma atividade atlética, em especial se estivesse se masturbando ou fazendo sexo, o nível de excitação era consideravelmente maior. Até aí, nada de estranho.
Mas o mais interessante dos resultados da pesquisa foi o seguinte: se quem estava praticando a atividade atlética, se masturbando ou transando nos vídeos era uma mulher, ou duas mulheres, ou dois homens, isso não fazia uma diferença significativa na excitação. As mulheres que participaram da pesquisa se excitavam da mesma forma com imagens de homens e mulheres, e o que mais importava era o contexto e a atividade em si, não os envolvidos. Inclusive, reportou-se uma maior excitação quando havia mulheres presentes nos vídeos. E isso, em mulheres heterossexuais.
O que parece derivar, portanto, desses resultados, é que a sexualidade feminina é, essencialmente, fluida, capaz de se direcionar tanto para homens, quanto para mulheres, sem que isso comprometa a escolha de objeto essencial. De fato, o que se percebe é que é muito mais comum mulheres que gostam tanto de homens quanto de mulheres, do que homens na mesma situação.
Homens, em geral, têm um sexo preferido – seja o mesmo ou o oposto, e isso também foi parte dos resultados da pesquisa: eles ficavam sempre mais excitados com vídeos envolvendo o sexo da sua preferência. Mesmo aqueles que se diziam bissexuais mostravam uma tendência à hetero ou homossexualidade.
E ainda há quem, até hoje, pretenda reduzir e enquadrar a sexualidade em padrões previamente estabelecidos…

